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sexta-feira, 26 de setembro de 2003

O MINISTRO E O LOBO MAU


O Ministro e o Lobo Mau - Éstorias para Crianças, por José Sá & Margo

Era uma vez um ministro que vivia numa casa escura e bafienta com outros meninos, no meio de papéis de jornais e tintas para brincar, do outro lado da floresta. Nessa floresta existia um lobo vermelho que era muito mau, tão mau que nem se pode imaginar. Quando lhe pediam para falar do lobo mau, o ministro dizia sempre, em voz alta, estas palavras: - «Ora ainda bem que perguntam. Oiçam! Deixem-me fazer uma pergunta: Vocês sabem como será o mundo daqui a dez anos? Repito: sabem?». Na verdade os seus amiguinhos não só não sabiam, como desconheciam o mundo para além das árvores da floresta. E tinham medo, muito medo do lobo mau.

Ora este bom ministro queria educar muito bem-educados os meninos liberais que o liam todas as sextas-feiras e por isso desejava mudar-se para um castelo limpo e arejado, fora da floresta perigosa, e esquecer de vez os perigos que a rondavam. Algum tempo depois foi ter com os companheiros de brincadeira. Ao passar por uma clareira encontrou o compadre Monteiro, mas nada lhe disse, entretido que ele estava a construir uma nova casa. Quando o dia nasceu, só tinha reunido o Bagão, o Pires, o Guedes, o Telmo, o Mota, o Salvado e a Celeste, e disse-lhes, olhos nos olhos, com ar estudado e sério: «Deixem-me dizer-lhes uma coisa. Está escrito. Não vou entrar em nomes. A quem acredita em mim eu digo apenas: sigam-me, venham todos ministrar».

E assim foi. O nosso bom ministro partiu, através da floresta, no seu belo carro verde very british mais os seus amiguinhos, com apreensão mas determinado, cantarolando a Portuguesa, enquanto nos céus passava em visita de estudo, apinhado de gente, um helicóptero de Lamego.
- «Ora, a grandeza da floresta "tem o dom da simplicidade. Diz um provérbio, creio que judaico, que as pontes se constroem entre rios, não se constroem entre oceanos." Pois eu diria, está escrito, que a floresta "consegue construir pontes entre distâncias que parecem insuperáveis" e o lobo mau que se lixe» - disse o ministro, confiante, de si para si. E lembrou-se do que lhe tinha dito um amigo francês, de nome Le Pen: «Caro menino, eu sei que és obediente. Vou dizer-te o que deves fazer para não seres apanhado pelo blog do Pacheco, pelo expresso do Duarte Lima ou mesmo pela chaimite do Alvarenga. Deves ir sempre pela direita da direita, chamares pela santa Cinha e nunca largares a mão dela».

Àquela hora do dia nada encontrou, excepto o Rei D. Dinis, o Delgado, o Independente, a Helena Matos a tricotar e o Tio Patinhas, que lhe disse: - «Bom dia, soldado! Como tens um grande saco e um belo carro, és um verdadeiro soldado! Vais ter tanto dinheiro quanto quiseres!», ao que o ministro respondeu: - «Não confirmo nem desminto».

Eis que passa um ruidoso grupo de imigrantes, e um deles, escondido sob uma máscara mas que se viu logo ser o Louçã, perguntou-lhe: «Qual o caminho para Portugal?». O ministro que era muito senhor do seu nariz, respondeu todo lampeiro: «Os portugueses primeiro, nós cá é mais submarinos, viaturas blindadas e aeronaves!». E não deixou de continuar o seu caminho: um ministro jovem é sempre valente.

Depois passou a "peluda" Ferreira Leite, numa carrinha do Ministério das Finanças, e olhando de soslaio o ministro, disse-lhe: - «Ah! Ah! O que é que escondes dentro do saco?». O nosso ministro, depois de muito matutar e perante o terror de Lobo Xavier, que tinha acabado de chegar de uma reunião na Torre das Antas, disse: - «São rosas e pão, senhora».
- «Fixe essa do pão, que queijo e facalhão temos cá nós» – retorquiu a fada das finanças, abrindo triunfante o saco do ministro da floresta. Mas ficou abismada ao deparar com pão e rações de combate que o ministro transportava para o castelo da Av. da Ilha da Madeira. E lá partiu, floresta fora, vociferando justiça, seguida de perto pelo aterrorizado Xavier.
Nesse momento sobreveio o Alberto Gonçalves em traje micaelense, com cavaquinho, ferrinhos e pífaro, CM debaixo do sovaco, Serzedelo à perna. - «Ai de mim! - exclama o homem a dias - antes o Sepúlveda!». Ao longe, Mexia, escondido por detrás de um livro (A cabra vadia: novas confissões) de Nelson Rodrigues, mirava uma menina da floresta, a mais linda que se possa imaginar, um pedaço de mau caminho, completamente alheado desse histórico e comovente momento.
Entretanto surge inflamado o juiz da floresta e, perante tamanha concentração de intelectuais, em altíssima voz, clama: «Não há conversa ... antes que rebente com essa merda toda». Aterrorizados, o ministro e seus amiguinhos, jornalistas e bloguistas, simples trabalhadores florestais, mulheres venturosas, almocreves em exercício e o próprio lobo mau, desatam a correr, a correr ... e até hoje ainda não conseguiram parar de parar de correr.

Assim acaba a história do ministro e do lobo mau, que afinal não era tão mau quanto isso.

segunda-feira, 26 de maio de 2003

HELENA MATOS: MAIS VASCO MENOS PULIDO

Não temos o prazer de conhecer a senhora jornaleira Helena Matos, mas do que lemos parece-nos sempre que está entre a pretensão de querer ser uma VPV de saias, com menos corpo e menos espírito, menos polida e menos escorreita de linguagem. Durante a intervenção ianque no Iraque a senhora que escreve n'O Público estilhaçou todos os argumentos em defesa da política bushiana várias vezes, tão soez foi na argumentação. Depois fica-se sempre no enfado de ler muitas linhas sem qualquer gozo de escrita. Helena Matos é frígida na linguagem. Gela-nos o estímulo da fruição intelectual. Ficamos castrados de tanta palavra, sem nexo algum.

Há pouco tempo meteu-se, sabe-se lá porquê, com a Maçonaria, todas elas e ao mesmo tempo. Tudo no mesmo saco meteu, com sempre o faz, sem polimento algum mas muito malícia, sempre. Esta semana, desata num berreiro contra a "reacção desadequada de Ferro Rodrigues" face ao caso Pedrosa, para finalizar na inadequada preparação do mesmo para o exercício do poder. Na página seis d'O Publico de sábado diz-nos sagazmente que, «a democracia não está agora em causa e o pior que o PS pode fazer é passar a imagem de que se considera acima da lei». Extraordinária evocação. Muito libertina por sinal.

A escriba, como muitos que escrevem por aí, entende que Ferro Rodrigues deveria, para efeitos performativos do poder, ser feito de uma massa blindada ás emoções da vida privada, numa clonagem do super-homem com os tomates de Margaret Tatcher. Compreende-se o que a senhora exige dos políticos. Mas suspeito que todos são, ainda, humanos. Quando alguns frios e cerebrais jornalistas, como o inefável Ministro da Defesa é exemplo, chegarem ao poder, talvez sim. Por ora fiquemos no campo dos humanos. Se der licença.